sexta-feira, 24 de maio de 2013

VICE: Project Doom (NES)



Nos dias atuais, é comum você ver jogos cada vez mais se parecendo com filmes, com narrativas extensas, cenas cinematográficas, histórias cheias de reviravoltas e tantas outras características que só víamos no cinema.

Na época remota dos consoles caseiros, mais precisamente nos 8 bits, passar essa sensação para os jogadores era uma tarefa árdua com poucos kbytes de espaço num pedaço de plástico.

A situação fazia a necessidade e algumas empresas conseguiram fazer verdadeiras proezas em consoles como o Master System (Phantasy Star) e Nintendinho (série Ninja Gaiden). Vice: Project Doom, apesar de meio desconhecido, é uma dessas proezas, uma verdadeira jóia com os dois pés na ação exacerbada somente vista nos cinemas.




A história é interessante: um grupo de aliens chega ao nosso planeta e logo são recebidos pelo ambiente hostil. Para sobreviver, eles passam a produzir uma substância verde chamada GEL, da qual os próprios se alimentam, passando assim a viver camuflados entre os humanos. Muito tempo depois, surge a B.E.D.A., uma empresa que distribui desde componentes tecnológicos até investimentos em pesquisas de novas armas militares. Por trás dessa B.E.D.A estão os tais alienígenas, séculos depois, ainda produzindo Gel para seu próprio consumo. Devido à acontecimentos não muito bem explicados, humanos, através do contato com alienígenas, começam a fazer uso dessa substância, geralmente como aditivo corporal, mas que reagia de maneiras catastróficas no organismo, deixando sequelas permanentes.

Aí já viu: os olhos de pessoas ricas e influentes pousaram sobre tal substância, na intenção da fabricação massiva com ganho rápido de dinheiro, algo bastante parecido com o que ocorre com algumas das nossas "drogas" atuais. Enfim, disposto a por um fim nessa festinha entre humanos e aliens, surge Quan Hart, detetive responsável pela investigação da BEDA, juntamente com seu amor platônico, a agente Christy e sua colega de trabalho Sophia. Na sede de descobrir tudo, Reese, parceiro de Hart, acaba desaparecido e é mais um problema pro agente resolver.

Como puderam perceber pela história, o jogo não é qualquer um de tiroteio sem o menor sentido. Vice é um game diferente que, aliás, possui 3 distintas jogabilidades num único pacote. De começo, antes até mesmo da tela inicial, o jogador já sente que a coisa esquenta numa perseguição alucinante de carro no melhor estilo Spy Hunter. Após isso, etapas de plataforma permeiam a maior parte do jogo, onde ainda vamos ter cenas em primeira pessoa, num estilo parecido com as partes de tiro de Alien Storm, onde Hart vai usar e abusar de sua arma e granadas. Felizmente, o recheio do jogo é todo em plataforma clássico, que lembra bastante jogos como Ninja Gaiden.


dois estilos completamente diferentes

Nas fases de plataforma, Hart pode usar três tipos de ataque: seu chicote laser, sua pistola magnum ou então granadas. Isso aumenta o dinamismo dos combates, adicionando uma boa dose de estratégia em algumas etapas. No entanto, o chicote pode fazer o trabalho sujo na maioria do tempo, até porque ele é infinito. Mas tanto a munição da pistola quanto granadas podem ser encontradas com inimigos abatidos, que também deixam muitas moedas caírem (100 dão a famosa vida extra, apesar do jogo ter continues infinitos). Os controles respodem muito bem, deixando o jogo bem gostoso de se jogar, sem frustrações com botões atrasados ou comandos complicados.


apesar de interessante, a fase de tiro (à direita) acontece poucas vezes no game

A dificuldade do jogo é relativa, após um tempo jogando você logo pega as manhas de controlar e saber usar da melhor maneira as 3 armas de Hart, podendo atravessar áreas inteiras sem levar dano. Decoreba, como em 90% dos jogos de NES, conta muito também, principalmente em fases onde pulam muitos gatos e inimigos que atiram. Falando em fases, quase todas são em ambientes urbanos, desde indústrias, laboratórios, rede de esgoto, com poucas se passando em florestas ou rios. Talvez com uma variedade maior o jogo ficasse melhor ainda, mas, nunca saberemos (Power Blade é um exemplo de variedade de cenários sem destoar da história).Tanto Hart como os inimigos são muito bem desenhados e animados, além do design das fases não enjoar.


a fase da floresta é um respiro entre tantos cenários urbanos

A trilha sonora também é ótima e merece menção. Quase todas as músicas vão de ótimas à excelentes, com temas muito bem encaixados com a proposta do jogo. Em fases de tiro, por exemplo, toca-se uma música bem frenética, tornando mais frenética ainda em etapas de perseguição de carro.



Talvez uma das melhores características de Vice sejam suas famosas cutscenes, uma característica herdada de Ninja Gaiden e muito bem empregada aqui. Hart possui feições muito bem desenhadas e que passam exatamente como o protagonista está se sentindo em relação ao que acontece ao seu redor. Esse plus do jogo o torna bastante convidativo, deixando o jogador intrigado com o que virá depois e como a história vai se desenrolar.



Resumão:
+ gráficos animais, principalmente nas cutscenes;
+ mesmo sendo um plataformer, os outros estilos estão igualmente bem feitos;
+ o som, em geral, deixa muito jogo ATUAL com vergonha;
+ a dificuldade é relativa, não é um daqueles jogos apelões de NES;
- podia ter temas mais variados nas fases;
- não ter continuação é sim um ponto negativo :P

FINAL SCORE: 9

15 comentários:

  1. Já tinha ouvido falar desse jogo em outro site parece ser bem interessante a historia e sua jogabilidade é bem maneira pelo jeito vou anotar esse game na minha lista.

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  2. Tb conhecia já, mas nunca joguei. Ele me lembrou um pouco Shatterhand, do próprio Nes, que tb é um ótimo jogo. Jogarei ele quando possível, agora tem outros games na fila.

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    1. Acredito que as diferenças básicas entre ele e Shatterhand sejam as fases em estilo diferente e a jogabilidade. Em Shatterhand, por exemplo, é preciso planejar cada salto, cada ataque e poupar ao máximo o HP do personagem. Em VICE também é assim, mas ele é muito mais flexível, além dos inimigos darem mais espaços para ataques (sejam eles com o chicote, arma de fogo ou granada).

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  3. parece que o carinha da capa foi inspirado em Mel Gibson. já ouvi falar do game, mas nunca experimentei. vou arruma-lo para jogar

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    1. Foi totalmente chupinhado do Mel Gibson.

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  4. Gostei excelente artigo,que bom que o Blog voltou Cosmão,já tava com saudades de ler sobre os nostálgicos games da antiga.

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  5. Cosmão, como sempre um ótimo artigo... Parabéns !!!

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  6. O que acontecia com a namorada do herói, lá perto do fim, marcou me bastante (lógico que eu não vou dizer o que é). Eu não conheço o jogo, nem tinha NES, mas li uma matéria completa dele na revista Videogame que tinha o jogo "Totally rad" na capa. Eu acho que era essa a revista.

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  7. Um dos meus jogos favoritos do NES! Eu só consegui terminar uma vez de tão dificil que ele é mas compensa muito jogar até o fim. :) Excelente artigo cara!

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  8. otimo jogo, tenho esta raridade em cartucho japones ( Gun Dec )

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  9. Tive o prazer de zerar e possuir esse game no meu nintendinho (Top Game da CCE)!! Parabéns sua análise foi precisa e seu site é excelente!!

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