sexta-feira, 25 de outubro de 2013

StarTropics II - Zoda's Revenge (NES)


Se existe um jogo que me faz lembrar com prazer o passado nesse blog, esse jogo é StarTropics. Eu lembro que decidi do nada fazer o Retronado, mesmo sem saber bulhufas tanto do enredo quanto do jogo, já que eu apenas havia testado o mesmo. Descobri um jogão, assim como Crystalis, também pro mesmo console.

São essas pérolas escondidas que fazem a alegria desse fanático por jogos velhos e que também são o mote do Shugames.

Enfim, um bom tempo se passou de lá pra cá e nunca mais se falou em StarTropics. Eu confesso que já fui tentado a fazer um retronado do segundo game, mas outras "obrigações" acabaram me tirando desse foco, ao menos por enquanto.

Então, pra não deixar de registrar essa bela obra, hoje vou falar um pouquinho sobre essa continuação de uma das melhores franquias já criadas pela Nintendo.

Sim, mais uma que ficou infelizmente presa no passado...


StarTropics II começa do exato ponto onde o primeiro parou. Mike, nosso protagonista, começa relatando como estão os dias atuais quando recebe, telepaticamente, uma mensagem de Mika, a garota argonian que ele salvou no primeiro jogo. Tal mensagem é ocasionalmente decifrada pelo seu tio, Dr. J., a qual acaba por abrir um portal espaço-tempo que suga Mike para outra dimensão, assim que o mesmo diz algumas palavras mágicas. O garoto acaba por ir parar no passado, numa caverna dos tempos da pedra, habitada por homens e mulheres que cozinham javalis para o jantar enquanto desenham as caçadas em paredes iluminadas por fogueiras...


essa primeira parte é mais pra se re-acostumar com os controles novos
 algumas telas são puro plataforma

Além da Idade da Pedra, Mike ainda visita vários lugares antigos pelo mundo, não ficando mais preso nas ilhas do primeiro jogo. Podem esperar por aventuras no Egito, no faroeste, na Era Medieval e até na Inglaterra remota. Tais viagens acabam permitindo que Mike interaja com alguns personagens clássicos, como Leonardo DaVinci, Cleopatra, Rei Arthur entre outros. Em se tratando de storyline, na minha opinião, os produtores preferiram seguir por um caminho mais simples do que elaborar uma história mais densa. Povoar o game com ambientes variados foi uma grande idéia, mas talvez tudo fique meio vago na hora de contar a história. Em resumo, a história do central do jogo é contada por meio de várias histórias menores, onde cada cenário funciona como uma dungeon ou missão, assim como as ilhas no primeiro game.


Mike pelo mapa e na caverna: anote a sequência de símbolos na parede, vai ajudar muito

Enfim, além da mudança drástica de cenários nessa continuação, a mecânica de jogo teve suas mudanças também, algumas pra melhor. Mike agora pode andar (e saltar) na diagonal ao invés de apenas em "quadrados" como no primeiro jogo, o que adiciona um vasto leque de estratégias de fuga na hora de enfrentar inimigos. Por outro lado, essa "facilidade" pode levar a complicações na hora de saltar em plataformas, pois qualquer erro significa perder uma vida, diferente dos saltos "automáticos" do primeiro jogo. E, se você leu o meu retronado de StarTropics, sabe que perder uma vida não é nada agradável, principalmente numa caverna enorme...


lembra dos símbolos? basta seguir a ordem de caminhos de acordo com o desenho

Os gráficos deram uma leve melhorada também. Além de cenários mais variados, StarTropics II tem uma gama maior de cores e mistura muito bem cenários naturais com modernos, tirando bastante aquela identidade bucólica de paredes iguais e chão de terra do primeiro jogo. Aqui as cavernas são bem detalhadas, inclusive nos vilarejos, basta notar os detalhes nos desenhos da primeira caverna do jogo. Algo que não mudou praticamente nada é a movimentação lenta de Mike quando está no mapa ou em cidades.


a grande pirâmide precisa de um item especial para poder ser explorada
ao lado, vários trechos com buracos fatais para saltar

O som teve uma significativa melhora também. Alguns temas, como a primeira dungeon nas cavernas geladas, apesar de repetirem infinitamente no jogo todo, ficaram bem bacanas enquanto outros apenas estão ali para que o jogo não fique num silêncio profundo. Os efeitos sonoros continuam praticamente os mesmos, mas é algo que não deve mudar realmente, pois quem jogo o primeiro logo se identifica com o segundo apenas de ouvir os ataques de Mike. Talvez a música que toca quando estamos com a energia baixa seja a maior novidade aqui.


falando em trechos de plataforma, olha o trabalho pra alcançar a parte alta de tela
ao lado, o segundo boss do jogo, esse escorpião gigante

A dificuldade de StarTropics era conseguir resolver os puzzles nas mais variadas dungeons e cavernas. Em StarTropics II, ainda bem, esse ponto ainda permanece. Alguns puzzles são frustrantes como logo o primeiro, onde é preciso acertar o caminho correto ou então vai ter que repetir a caverna dezenas de vezes. Junto disso há o fato do personagem ter vidas, o que limita e dificulta bastante, obrigando o jogador a planejar bem caminhos, ataques, pulos e investidas. Qualquer cagada pode significar a morte. Ainda existem corações que adicionam mais um ponto de energia à Mike, bem como caminhos escondidos, inimigos que soltam estrelas (5 delas recuperam um coração) e aqueles potes de vida.


mudando da água pro vinho, o cenário pantanoso é bem perigoso também
à direita, Mike encontra mais um coração pra aumentar a energia

Ser mais do mesmo sempre soa como preguiça por parte de desenvolvedores (no que diz respeito à entretenimento em geral), mas não é o caso de StarTropics II. Aqui muita coisa foi sim reaproveitada do primeiro, mas mudanças na jogabilidade e a adição de novidades nos cenários e na mecânica de jogo surpreenderam positivamente. Se você jogou o primeiro e gostou, não pense duas vezes pra conhecer o segundo jogo da saga de Mike. Mesmo não sendo uma grande novidade como o primeiro game, nem tendo puzzles criativos como o mapa revelado com água no primeiro jogo, StarTropics II é um excelente jogo de aventura.

Resumão:
+ uma boa melhorada no visual, adicionando variedade aos cenários;
+ a movimentação de Mike é mais livre, dando mais opções de ataques e exploração;
- o jogo ainda tem uma cadência lenta, talvez pela dureza nos controles;
- alguns puzzles poderiam ser menos frustrantes ou pelo menos mais simples;

Final Score: 8.0

3 comentários:

  1. poxa Cosmão, que jogo bonito! você fez um detonado do primeiro game, pelo que me lembre. mas esse parece mais atraente.

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  2. Eu acompanhei o detonado do primeiro e curti pra caramba e fiquei sabendo dessa continuação pela revista Old!Gamer.Esse mês foi com um tema bem interessante sobre o Famicom e nele tinha uma imagem de Star Tropics 2.muita coincidência isso ver esse post sobre ele por aqui também viu.

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  3. Uma história engraçada a respeito do primeiro Star Tropics...aluguei ele e me lembro que na época chegando perto do fínal precisava usar uma nave espacial...mas precisava de uma combinação que se não me engano vinha escrita no manual do jogo...por íncrivel que pareça o manual do jogo estava disponível na embalagem do cartucho que aluguei!...Mas as últimas duas páginas estavam rasgadas...sério, foi uma frustração terrível!

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