sexta-feira, 2 de outubro de 2015

Contra Hard Corps (Mega Drive) [R]


A Konami talvez tenha tido sua melhor fase nos 16 bits. São incontáveis os jogos que fizeram sucesso da empresa, sejam jogos com personagens licenciados, sejam jogos que eram continuações de séries famosas ou até mesmo jogos que ela criava, fruto de mentes criativas que permeavam por todo o estúdio.

Bom, em um estúdio que deu luz à jogos como Tiny Toon Adventures, Rocket Knight Adventures, Super Castlevania IV e Axelay antes de produzir uma versão de Contra pro Mega Drive, só podia vir coisa boa dali. E realmente veio...

Contra, naquela época, alcançava o status de uma das maiores séries de jogos já feitas. Ao lado de outros petardos da empresa, como Castlevania, a série sempre estrelou nos consoles da Nintendo, isso desde os 8 bits com o NES e passando pelo Super NES nos 16 bits.


O Mega Drive só veio a receber o primeiro jogo da série em 1994, com Contra Hardcorps, uma espécie de spin-off da série principal. Mas, a julgar pelo que vemos sair daquele cartuchinho, a espera valeu a pena e superou todas as expectativas.


Nota: essa análise faz parte da nova safra de "remakes de análises e detonados", as quais expliquei no artigo sobre as novidades do blog, postado dia 28. Todas a análises e detonados envolvidos nesse quesito terão um [R] no final do título, à fim de diferenciá-los dos demais artigos inéditos no blog.

A história do jogo se passa cinco anos após os acontecimentos em Alien Wars, o jogo do Super NES. Um grupo terrorista liderado pelo Colonel Bahamut roubou uma célula alienígena que havia sido recuperada durante a guerra dos aliens e pretende usá-la para criar armamento pesado. No lugar dos tradicionais Bill Rizer e Lance Bean, um novo time de quatro guerreiros foi convocado para resolver o problema.



Diferente de seu rival na época, o Super NES, Contra no Mega Drive permitia que os dois jogadores escolhessem entre quatro personagens distintos não apenas na aparência, mas também no gameplay e no tipo de armas que cada um carrega. Cada um deles tinha uma jogabilidade diferente e pode carregar 4 armas distintas, sendo identificadas com letras A, B, C ou D, além da bomba que explode a tela toda. O botão A é o responsável por trocar entre as armas coletadas e apertando-se para baixo + o botão de pulo, todos os personagens dão um slide, útil para escapar de enrascadas. Além disso, todos podem escalar paredes e atirar em oito direções diferentes. Isso tudo agrega, além da variedade, um fator replay altíssimo. Eis os quatro selecionáveis no jogo e algumas particularidades de cada um:

Ray Poward 
A - Vulcan Laser / B - Crash Gun / C - Spread Gun / D -  Homing Missiles
De fato, Ray, o guerreiro humano, é o mais equilibrado dos 4. Possui um bom armamento, suas armas são ótimas para qualquer situação do jogo. Ray ainda possui a clássica arma do Contra original, a Spread Gun, que solta uma rajada em cinco direções, facilitando muito sua vida, além do Homing Missiles, arma ideal pra quem ainda não manja muito do jogo.

Sheena Etranzi
A - Genocide Vulcan / B - Shower Crash / C - Break Laser / D - Ax Laser
É uma personagem de certo modo equilibrada e com boas armas. O que pega com Sheena é a lentidão do tiro de algumas armas, o que pode prejudicar o jogador em situações mais tensas. Além disso, seu armamento é sensivelmente mais fraco do que Ray Poward, sendo compensado com um slide mais efetivo.

Brad Fang 
A - Beast Shooter / B - Power Punch / C - Flame Thrower / D - Psychic Blast
Brad possui o arsenal mais forte do jogo, mas também os que tem o menor alcance. Por isso, só escolha esse personagem se já estiver bem familiarizado com as fases e com os chefes, pois não é mole jogar com ele não. Seu Power Punch é ótimo, mas, assim como seu Psychic Blast, ele só sai para os lados, nunca para cima ou para baixo.



Browny
A - Victory Laser / B - Gemini Scatter / C - Electro Yo-Yo / D - Shield Chaser
Esse robozinho minúsculo é um dos personagens mais interessantes de se controlar. Ele se dá melhor que os outros em várias situações, apesar de seu armamento ser consideravelmente mais fraco. Seu Electro Yo-Yo (arma C) é de longe sua melhor arma, pois o cordão se estica até os inimigos e os destrói quase instantâneamente! É uma das armas mais apelonas pra se usar em chefes, apesar de lenta. Browny ainda tem um movimento extra de pulo duplo e pode planar no ar, ao se apertar o botão de pulo enquanto estiver no ar.



Além dos quatro personagens jogáveis, temos alguns outros que compõe o time dos vilões e o Comandante Doyle, que é o responsável pelo time Hardcorps e quem passa as coordenadas de cada missão. Entre os inimigos, destaca-se Deadeye Joe, que é o primeiro inimigo que se encontra logo no início do jogo, além do vilão principal, Colonel Bahamut. Mas o jogo todo é cheio de chefes mirabolantes, máquinas enormes e toda a sorte de coisas e objetos que podem tirar uma vida do jogador. De fato, é um dos jogos mais impressionantes já feitos, não apenas na variedade, mas na quantidade de chefes, um mais criativo que o outro.



A jogabilidade também esconde alguns pormenores bastante interessantes. É possível, por exemplo, travar seu personagem enquanto atira usando para isso o botão X do controle de 6 botões do Mega. No controle tradicional, é preciso segurar o botão de tiro e apertar o botão A. Esse é um recurso interessante quando você quer ficar fixo num local seguro enquanto destrói algum inimigo ou parte vulnerável de algum chefe.

Mas não era só nisso que o jogo buscava variedade: quase todas as fases possuíam uma bifurcação, que levava o personagem à fases diferentes, com a história se desenrolando de acordo com suas escolhas, culminando em 6 finais distintos! Esse fator é até hoje muito lembrado e elogiado. Geralmente, as divisões levam à fases mais fáceis ou mais difíceis, mas será preciso jogar por todas elas para ver todos os finais presentes, além de conseguir aproveitar todo o conteúdo do jogo, como as linhas de diálogo e chefes diferentes. Muita da dificuldade do título está em completar todo o set de finais e, lhes digo por experiência própria, é uma das tarefas mais difíceis do Mega Drive realizar esse feito.



Outro fator que chama a atenção, dessa vez dos olhos, é o visual de Contra Hardcorps. O jogo é tão bem feito, com uma animação tão fluída e lotado de efeitos especiais que muito comumente é comparado ao Gunstar Heroes, outro petardo do console, feito pela Treasure que, por sinal, foi montada por ex-funcionários da Konami entre outros artistas.

O jogo é recheado de explosões, prédios inteiros caindo, robôs gigantescos, tiros pra todo lado e NENHUM slowdown! Parece que tudo foi realmente feito com esmero, aproveitando todas as capacidades gráficas do Mega Drive e ainda incrementando outras características que ele não poderia executar de forma natural. Um dos exemplos é na famosa fase da rodovia, onde um robô gigante, ao fundo da estrada, vem nos perseguindo e tentando nos acertar, esticando seus braços num efeito de zoom-in/out impressionante para a época.



O layout das fases também é digno de menção. Os produtores buscaram criar um design simples e funcional, pois além de fases que são simples retões, temos variedades como a já citada fase da rodovia, uma outra de escalada e muitas fases onde temos que voar em veículos armados até os dentes! De certo, muitas partes do jogo são de apenas confrontos com chefes, o que o torna bem recheado de momentos épicos e insanos.

A música em Hardcorps também merece ser elogiada. Todas as composições são ótimas, baseadas em techno/trance, o que combina muito bem com a ação caótica que acontece na tela. Efeitos sonoros são bem limpos e cristilanos, exceto por algumas vozes, que ficaram roucas (padrão Mega Drive, infelizmente o Meguinha não dava muita conta de vozes nítidas pelo seu chip sonoro). Mesmo assim, Contra Hardcorps é um daqueles jogos pra se jogar com o volume no talo!



Finalizando, se você é fã da franquia ou se simplesmente gosta de um bom jogo de ação e está disposto a encarar um grande desafio, recomendo muito experimentar Contra Hardcorps. Pros padrões atuais da indústria de jogos, ele pode ser considerado até cruel em alguns momentos. Mas, numa época onde a dificuldade era o padrão em certos jogos e principalmente franquias como Contra, é simplesmente prazeroso você aprender com os erros e avançar, descobrindo na raça como vencer os chefes e etapas mais complicadas desse grande clássico do Mega Drive.

Resumão:
+ visual estonteante, um dos melhores do Mega Drive;
+ trilha sonora que combina perfeitamente com o jogo;
+ variedade enorme de personagens e fases;
+ vários finais, adicionando um fator replay altíssimo;
+ muito divertido, mesmo com uma dificuldade elevada;
- as fases poderiam ser maiores, muitas vezes você entra na fase e ela se resume apenas à um chefe;

Curiosidades:
• Contra Hardcorps tem o nome de Probotector MD na Europa;
• a versão japonesa traz uma barra de energia e continues infinitos, características que foram retiradas das versões americanas e europeías, tornando Contra Hardcorps um dos jogos mais difíceis da série;
• no Level 3, ao escalar uma parede, encontrará um personagem misterioso que o desafiará para um combate. Se aceitar, note que o personagem fará os mesmos movimentos de Simon Belmont, personagem principal da série clássica Castlevania, também da Konami;

Final Score: 9.5

10 comentários:

  1. Realmente foram bons tempos para a Konami, e para os games em geral, hoje há muito mais do mesmo.

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    1. Infelizmente, a Konami de hoje em nada lembra a dessa época. A mesma coisa pode ser dita da Sega.

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  2. Muito bom essa série do Contra sou um grande fã recentemente zerei a versão de ps2 que é bem difícil também se eu não me engano ele se passa depois do Contra 3 do Super Nes vou dar uma conferida nele também.

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    1. Nunca joguei as versões do PS2, mas joguei uma versão do PS1 e achei bem difícil...

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  3. Excelente jogo. Confesso que os personagens foi o que me chamou a atenção no Contra do Mega Drive, e caramba na época eu não conseguia passar da segunda ou terceira fase, fui chegar no final jogando em emulador depois de velho. Mais um grande jogo, e pra mim é o mais criativo da série Contra desde a estreia dela no Nintendinho.

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    1. Terminei esse game na época ainda, no Mega Drive, mas suei uns dois dias para fazê-lo. Acho que consegui fazer uns 2 dos 6 finais, o jogo é bruto demais até pros padrões da época no que diz respeito à dificuldade!

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  4. estranho a versão japonesa ser mais fácil sempre achei que os japoneses gostavam desses jogos onde se tem vontade de jogar o controle na parede.

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  5. Um dos jogos que mais explorou os recursos do Mega, fator que não tornaria um clássico se não apelasse também para a estrutura das fases em constantes mudanças, múltiplos personagens, creio eu também que é o mais criativo, pois diferenciou-se muito dos primeiros de fliperama mas de modo positivo, já os subsequentes...

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  6. Um dos games mais epics do MD.
    A trilha sonora tbm é pancanda

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  7. Eu estou jogando isso muito com meu irmão gêmeo. É um excelente jogo e estou quase zerando pela primeira vez XD

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