terça-feira, 24 de outubro de 2017

Pergaminhos do Cosmão Vol. 4 - O Sentido da Jogatina




Qual o sentido de se jogar videogame? O que você busca quando aperta o power ou enquanto programa aquela jogatina, naquele tempo livre tão escasso nos dias de hoje? Se superar? Passar o tempo? Desligar-se do mundo real? Relaxar? Ou apenas se divertir? E no que está baseada essa diversão? No jogo escolhido ou no que a jogatina em si representa para você?

Quando se é jovem, talvez essa seja uma resposta mais fácil de ser alcançada. Mas, quando já se acumula uma boa idade, com compromissos minando cada vez mais seu tempo livre, é preciso refletir sobre tal questão que envolve nosso hobby preferido: jogar videogame.

Embora o assunto tratado aqui tenha em vista a jogatina retrô (seja emulada ou no sistema original - tanto faz no final das contas), também pode ser extendido para jogatinas em consoles mais modernos e novos. Afinal, a diversão precisa sempre prevalecer? Ou apenas proporcionar um momento de desligamento do mundo externo? E esse é o ponto central de tudo e é o assunto que resolvi trazer hoje para mais um pergaminho...


Quantas vezes você já iniciou aquele jogo pretendido, jogou, terminou e depois ficou com a sensação de que "nem parece que joguei"? A jogatina parece que foi tão automática que você nem sentiu, nem gravou em sua mente os momentos jogando, nem parece que se divertiu. Eu venho notando que esse tipo de sensação tem ocorrido comigo já faz um tempinho: um acúmulo de jogos terminados, mas praticamente vazios de conteúdo pessoal ou de experiência. O famoso "backlog fantasma", o qual você consegue cumprir, mas de forma tão obrigatória (mesmo sem ser obrigado) que acaba sendo automático e sem vida.



Esse tipo de sensação se parece bastante com a "Síndrome do Labirinto", que é ficar perdido no que jogar. Neste caso, ficamos perdidos "no que joguei". Infelizmente, não é algo que você consiga resolver com organização das jogatinas. Pelo menos no meu caso, não parece ser. Me passa a impressão de ter mais a ver com "dar um tempo", sossegar e, até mesmo, parar de jogar por tempo indeterminado. Seria a "fase final" dessa doença de possuir "todos" os jogos de uma só vez? Seria o desfecho da "Síndrome do Labirinto"? Ainda não tenho essas respostas.

Apesar de tudo, algumas das causas eu já identifiquei. Uma delas está diretamente relacionada com o tempo livre para jogar. Aquelas duas horinhas, ou aquela simples hora e até mesmo aquela meia hora sagrada que você tira para jogar. Acaba que, quando finalmente chega o período no dia reservado para jogar, você acaba perdido e escolhe qualquer coisa, desanimando por completo. Outra causa seria o local onde jogamos. Por mais incrível (e fresco) que pareça, o ambiente onde você costuma jogar, à longo prazo, pode acabar destruindo por completo a sua vontade de jogar, seu ânimo em encarar algum jogo. Ter um lugar adequado faz todo o sentido, afinal, jogar com pressa, no trabalho e tendo mil afazeres após a jogatina não é saudável, como diria o Vigia.



No final das contas, muitos podem dizer que "não há sentido algum em jogar videogame, eu jogo por diversão apenas", o que não é nem um pouco errado. O problema é quando essa diversão já não existe mais ou quando ela já apresenta desgaste, cansaço e estafa. Você vê por tantos anos as mesmas coisas que nada mais te agrada quanto antes. E, o mais inacreditável: você começa a considerar dar um bom tempo no hobby que você mais gosta de fazer...

A internet é um espaço que ajuda em tudo isso: são cada vez mais "especialistas", "historiadores" e "entendidos" dos games que pipocam por todos os lados. É cansativo ler sempre as mesmas coisas, ver sempre gente compartilhando que comprou isso, que comprou aquilo, objetos sem vida que vão servir de troféus em prateleiras e nada mais que isso. Ao contrário, é prazeroso ler um relato de um jogador de verdade, que venceu um desafio e veio contar suas aventuras. Acho que isso faz uma boa falta nessa internet sem vida de hoje em dia (no que diz respeito à jogos).



Eu não quero transformar o blog num espaço para lamentar, seja a falta de tempo pra jogar, sejam os problemas que impedem, seja a própria vida. Mas senti necessidade de compartilhar esse assunto com vocês que ainda gastam um tempo pra vir aqui ler o que eu escrevo. Pode ser que esse cansaço mental esteja ocorrendo com mais pessoas ou ocorra de tempos em tempos e é interessante compartilharmos essas experiências, mesmo que ruins para nós que gostamos de jogar. É isso.

21 comentários:

  1. Cara, de uns 6 anos para cá eu venho me perguntando isso. Decidi continuar jogando apenas os jogos antigos que não tive contato na época, e também jogar meus jogos favoritos, pois esses pra mim continuam com a mesma "mágica" que sempre tiveram. Dos jogos recentes os que me chamam a atenção são os da Nintendo.

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    1. Jogar os games favoritos, independente de onde, é uma das soluções. Obrigado pela visita!

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  2. Fala Cosmão! Eu tenho pouquíssimo tempo para jogar, mas quando jogo... ahhhh que delícia... Eu achava que jogava muito pouco mas depois que comecei a anotar no caderninho sinto que jogo bem mais que eu imaginava (acredite, faz toda diferença anotar num caderno/diário em relação a como fazemos no grupo do facebook). Concordo que o local e circunstância correta são essenciais para vc jogar (realmente, fora disso não é saudável), mas a gama de opções que temos acaba realmente sendo um impeditivo... se pudesse dar um conselho seria: Escolha um jogo, vá até o fim, a não ser que você comece a achar o jogo chato. Comigo funciona. Jogo menos jogos, mas me sinto satisfeito. E bora compartilhar, realmente, esse tipo de cansaço atinge muita gente. Boa jogatina meu amigo!

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    1. Eu comecei essa "terapia do caderninho" faz uns dias e venho tendo resultados bons tbm. Acho que depois de tantos anos jogando videogames, chega uma hora que cansa mesmo. Espero que passe logo, videogame pra mim é vida!

      Valeu pela visita saudável Vigia!

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    2. Como funciona essa "terapia do caderninho"? Fiquei curioso agora, pois sofro desse mesmo problema atualmente...

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    3. Também gostaria de saber, vou acompanhar pra ver

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  3. Cara, vocês descreveu em detalhes a minha fase atual. Estou com 34 anos. Jogo desde os 5 anos. E é bem tudinho o que você falou: há um tempo jogava, passava o tempo, e nada... Mas isso vinha acontecendo principalmente com os jogos dessa nova geração, cara. Larguei tudo e voltei firme aos antigos que eu nunca joguei. Megaman 1, por exemplo. Sempre joguei os antigos, mas ficava muito nos mesmos (como você disse aliás). Cara, o que eu me diverti não dá nem pra descrever! Já até terminei de novo! Mas agora tô numa fenda temporal de novo. Terminei o megaman 2, mas não teve o mesmo efeito. Mas acho que já já aparece outra coisa. Como gostamos disso, logo vem uma nova ideia. ;)
    Parabéns pelo post!

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    1. É uma delícia essa "passagem" dos jogos atuais pros antigos, lembro quando tive uma fase parecida com essa e voltei aos antigos jogando justamente Megaman 3 naquela coletânea do PS2.

      Acho incrível a força que esses jogos velhos tem, principalmente pra quem viveu naquela época.

      Obrigado pela visita Flavio.

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  4. No meu caso, gosto de puzzle games, mas de tempos em tempos esqueço deles. acho que nessa vida não dá pra ter apenas um hobbie para o tempo livre.

    gosto de alternar (leitura, filmes, cursos, séries, cinema, academia etc.) só não dá pra variar no namoro senão minha mulher me mata.

    realmente amigos fazem falta, mas a vida e nossos interesses muito vezes nos separa deles.

    enfim, jogar é mais um de muitos hobbies que servem para nos entreter e os buscamos para sentir fortes emoções e sentir que estamos vivos.

    abç!

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    1. Vc disse uma verdade: não dá pra ter apenas um hobby, talvez eu precise voltar a tocar meu violão e a escrever contos como eu fazia na adolescência.


      Obrigado pelo comentário e visita Scant Tales!

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  5. Fala Cosmão! Bom ver que seu site continua firme e forte! Estou de volta com minhas atividades no Mundo Nerd! Espero poder fazer uma parceria com você qualquer dia. Um abraço!

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    1. Vamos sim Victor! Que bom que está voltando tbm, o mundo blogueiro precisa voltar a ser forte!

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  6. Eu entendo isso, passei por uma fase assim há um tempo atrás. Estava "jogando pra dizer que joguei". O que me fez parar com isso foi jogar só o que eu realmente estivesse afim, fazer da minha sala meu " buraco gamer " (fica fácil quando não se recebe visitas e quando não se tem filhos) e não me apegar a lançamentos ou a pessoas "da mídia", pois o que é bom para um Velberan ou Zangado dificilmente será pra mim. Tenho gostos muito únicos e parei de me obrigar a jogar o que todos estavam jogando, só por pressão de participar daquilo.
    Como considero videogame meu hobbie principal, eu dedico um tempo bom a jogar (pelo menos uma hora todo dia), e nem sempre divulgo ou comento o que jogo, porque o importante é meu envolvimento e experiência com aquele título, e isso só eu vou entender. É quase um namoro, aonde o que se passa é legal entre o casal, e ficar expondo muito cria cobranças desnecessárias.

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    1. Jogar por pressão é horrível, já fiz muito disso tbm! A "Síndrome do Labirinto" meio que te obriga à isso às vezes se vc não tiver jogo de cintura na hora de escolher um game pra jogar.

      Obrigado pela visita Ayu!

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  7. Em alguns momentos é melhor largar por um tempo determinado hobbie para não virar obsessão. As listas gigantes de qualquer coisa acabam tornando burocrático o entretenimento. Pesquisei os sistemas todos que achei interessantes, tentei extrair deles suas originalidades e cheguei a um ponto de vista. Tenho vontade agora de apenas esperar jogos novos para terminá-los salvo uma ou outra tradução de alguma coisa imersa no japonês. Acho que isso quebra um pouco a tal síndrome que você já tinha descrito.

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  8. Vou falar por mim, o canal e as lives me ajudam a sair da "mesmice", conhecer jogos "velhos-novos", principalmente das plataformas que não tive acesso. Eu costumo não me pressionar para finalizar algum jogo, salvo quando gosto ou se estiver perto do final.

    Mas uma coisa que sempre mantive foram jogos "casuais", mas à moda antiga, que atualmente é o NFL Football '94 do Joe Montana, faço um jogo dele por dia ou a cada dois dias, este lugar já foi ocupado recentemente pelo NHL 96 e antes ainda, na época de ouro do SNES em minha vida, foi ocupado pelo F-Zero, NBA Live 97 e Legend of Zelda A Link to the Past. são jogos que ia jogando despretensiosamente, sem pressão. são jogos que posso parar e retornar a jogá-los a qualquer momento, por distração mesmo, mas jogos que fazem algo mágico: me fazem vibrar. Acho que é esta a questão afinal. Jogar algo que mexa com você, sem a pressão do dia-a-dia, poder começar a jogar e parar quando você quer parar ajuda também. Sempre que pego pra jogar algo antes de ter que ir buscara esposa em algum lugar a jogatina não sai boa, não jogo bem, fico pensando no compromisso e isso torna a experiência pior.

    O que escreveram acima, de ter mais hobbies faz todo sentido também, é importante ter esta variedade.

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  9. Acho que qualquer atividade pode ficar tediosa algumas vezes. Daí é só dar um tempo e renovar o ânimo. Hoje temos um universo fantástico de jogos via canais oficiais e roms, eu prefiro ficar perdido sem saber o que jogar pelo excesso, do que ficar caçando um cartucho, como nos meus tempos de criança, feito um náufrago atrás de comida. É claro que todo hobby pode enjoar de vez em quando, mas aí é culpa das variações emocionais do hobista e não do videogame, que diga-se de passagem, está na melhor fase para quem quer jogar. Tem de tudo, é só escolher. É só dar um tempo, Cosmão.

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  10. Um bom site e bons participantes é muito difícil de encontrar mas esse definitivamente é um desses.
    O texto descreveu bem como estou, parei para jogar até terminar um há pouco tempo e após terminar me senti como se não tivesse jogado.
    Comecei um próximo também mas não consegui me prender.
    E pelos comentários, realmente vejo que a possibilidade de dar um tempo e ir para outro hobby, como a leitura, um esporte não mais praticado, pode ser o que realmente precisa-se.
    Eu vou tentar antes voltar aos Tycoons que sempre gostei muito mas nunca mais joguei e se realmente não der certo, vou me afastar.

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  11. Cara, entendo bem sobre essa falta de tempo... E assim que liga o video game, vc desanima de jogar toda lista que queria... Assim, me faz escolher um que não tenha um "final" que sempre fica na mesmisse ... Por exemplo jogos de futebol ou FPS online. Tbm opto por jogos de luta como Killer Instinct ou Street Fighter II,
    Acho que o grande problema é a falta de desafio nos jogos de hoje, sendo quase exclusivo o tempo de jogo, e um ou outro boss. Antigamente cada pulo em plataforma, cada cenário te mantinha preso no jogo, por exemplo Battletoads, Megaman X, Kid Chameleon, Prince of Persia, Zombies At My Neighbor etc. Quero jogar Sombras de Mordor, mas deve levar dias e dias para finalizar, ou outros que duram 20horas pra salvar... E eu sou daqueles que vasculho cada canto do jogo, então levaria 40 hrs no mínimo. Então desisto fácil e pulo para as partidas online.

    Vou contar aqui, o que faço com meu sobrinho para deixá-lo jogar no ps4.

    Ele precisa passar alguma tela que eu escolho no Kid Chameleon ou no Ghouls N Ghosts para eu deixar ele jogar. E cara, ele sofre demais, fica bravo, mas não desiste... Pula da cadeira, faz cara de choro, se esperneia de raiva, mas não desiste! E quando ele passa, fica tão feliz, contando sobre as partes difíceis, tal hora que morreu, fica eufórico e animado. Coisa que não se vê hoje em dia.

    Detalhe... A tela que dei hoje para ele passar no Kid, foi Elsewere 17

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  12. Eu acho que tive essa sensação com jogos modernos, quando terminava jogos como Gears of War e The Witcher, havia uma sensação de vazio. Já com jogos antigos não sinto isso, eu me divirto e quero sempre me superar.

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  13. Eu acho que videogame exige um tipo de disciplina mental. Essa disciplina deve te fazer escolher poucos jogos para que você se concentre neles por um maior tempo, com o objetivo de se tornar suficientemente bom tecnicamente. Esse sentimento de se sentir "bom" em um jogo te dá uma recompensa psicológica muito boa. Mais do simplesmente fechar ou zerar um jogo, saber que você o domina (termina no hard, não usa continues, etc) é o essencial e esse domínio só se torna real quando há foco, concentração e treinamento insistentes.

    Hoje com toda a biblioteca à disposição, a tentação de querer sair jogando tudo é muito grande. É tipo aquele leitor agitado que pega 4 ou 5 livros de uma vez e acaba não "embalando" em nenhum deles e os terminando apenas para "cumprir uma meta".

    Além da auto superação, o que faz com que a jogatina seja boa é a disputa com os amigos. Mas infelizmente, atualmente, nossos amigos todos estão casados, têm que trabalhar feito camelos pra sustentar os filhos, não há tempo livre para a "brincadeira" mais. O que resta dessa "brincadeira" são os desafios online apenas ou até mesmo esses desafios ao estilo clube da jogatina.

    Enfim, esses desafios trazem maior longevidade e diversão aos jogos.

    A preguiça mental é um problema grave. Por exemplo, por que é tão difícil ler um livro inteiro?

    Quantas vezes eu vi um texto enorme e senti preguiça de lê-lo, mas depois que me esforcei e li, pensei: "poxa, ainda bem que eu forcei a leitura, pois valeu a pena". O mesmo acontece nos exercícios físicos: quantas vezes levantei na marra pra surfar, mas depois de estar na água percebi que valeu a pena o esforço.

    O mesmo vale para os jogos, se focar em poucos é remar contra a maré da preguiça; pois a mente quer ser levada para todos os lugares, ela quer leveza sempre; mas essa lassidão nos leva a uma experiência superficial, tediosa e sem sentido.

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