sexta-feira, 25 de maio de 2012

Mystic Ark (SNES)

Semanas atrás, eu resolvi vasculhar um pouco mais o infindável poço de jogos obscuros de diversas plataformas. Os resultados dessa verdadeira "escavação" são alguns jogos diferentes que estão pintando nas análises por aqui.

Tá certo que o principal objetivo do blog é ir atrás e mostrar pra vocês os jogos mais diferentes e obscuros, as denominadas "relíquias retrôs" (existia até uma seção pra isso antigamente por aqui), coisa que no Super NES, convenhamos, é abundante.

E hoje, pra não perder o pique, lhes apresento mais um deles, um RPG obscuro para Super NES que, infelizmente, é mais um daqueles que nunca viram esse lado do planeta, à não ser pelas mãos milagrosas de pessoas empenhadas nas traduções dos jogos.

À elas, toda a minha reverência. Obrigado, Dynamic Designs!




Mystic Ark tem um enredo completamente diferente de quase tudo que eu já vi em termos de RPG. Primeiro, ele foi feito pela Enix, que criou uma penca de clássicos pro Super NES na época. Ele também é uma pseudo-sequência do relativamente famoso The 7th Saga. Terceiro, sua introdução pouco conta a história, sendo que é preciso jogar o game pra poder ir entendendo aos poucos a conspiração e todo o cerne da evolução do personagem. Por último, ele herdou uma semi-sequência ainda mais sinistra e rara, pro Playstation.

A história inicial mostra sete personagens sendo abduzidos de seus locais de origens por algum poder desconhecido, e transformados em pequenos totens, uns bonequinhos de madeira sobre um altar mais estranho ainda. Um deles, Remeer, o soldado (que nomeei de Cosmão no game), consegue se libertar e inicia sua jornada em busca de explicações. Remeer (Cosmão) receberá ajuda de outros personagens durante o game, mas não sei precisar nem quem são ou quantos são, visto que algumas telinhas mostram mais dois personagens durante as batalhas.

O game é basicamente um RPG por turnos, com o personagem andando por cidades e dungeons numa tela vista de cima e, durante os combates, a câmera toma uma posição bastante semelhante à encontrada em Phantasy Star IV, por exemplo. Mas, Mystic Ark também ousou no que diz respeito à interatividade com cenários.



Quase tudo exposto pode ser checado, interagido ou coletado pelo personagem. Quando se encontra um vaso, por exemplo, em algumas ocasiões dá para simplesmente checar seu interior, vasculhar ao redor ou simplesmente tocá-lo, o que às vezes ativa algum efeito secundário que explicarei mais adiante. A maioria dos itens do game são encontrados dessa forma, além de pistas e informações extremamente úteis. Eu diria que o fator de exploração de Mystic Ark mistura o que existe de mais tradicional nos RPGs ao estilo adventure, cheio de opções extras.


a tela de batalha e conversando com um NPC

Bom, quanto ao efeito secundário que mencionei, alguns objetos fazem com que o personagem mude de lugar no jogo. Não é uma mudança muito bem explicada no game, mas é algo como um Light World e Dark World, uma espécie de dimensão onde tudo que você fizer vai afetar o mundo real e vice versa. Essa transição é feita com base na interação com certos objetos chaves no jogo.


itens estão por todo canto, dependendo apenas do instinto de explorador do jogador

O simples ato de tocar uma miniatura de navio no começo do game, por exemplo, te levará até aquele local, onde dois navios tripulados por gatos travam uma batalha ferrenha. Dali por diante, descobrir pistas, conversar com os moradores locais e descobrir chaves e passagens se torna algo mais tradicional, mesmo com a ambientação cheia de possibilidades proposta por Mystic Ark.


a visão de fora mostra o radar com os pontos brancos (inimigos)
ao lado, Cosmão trava uma batalha contra dois esqueletos

O sistema de batalha é simples no início, mas aos poucos vai se tornando mais complexo. Seu personagem evolui conforme ganha experiência e vai adquirindo desde magias novas até algumas habilidades. Itens como espadas, armaduras e acessórios podem ser comprados ou encontrados, o que instiga mais ainda o jogador a fuçar cada buraco ou canto do jogo. Como o jogo todo não é linear, voltar para locais e dungeons é uma tarefa corriqueira, o que acaba facilitando a evolução do personagem. Outro fator bacana é o radar em dungeons, mostrando a movimentação dos inimigos, algo bastante similar ao que acontece em The 7th Saga.



O visual de Mystic Ark é limpo e muito bem feito. As telas tem um trabalho gráfico diferente, as cores dão um aspecto envelhecido principalmente nos cenários e as imagens em close de objetos quando se interage com eles é muito interessante. Em uma determinada parte, por exemplo, é possível checar um armário e escolher a opção de abrir uma gaveta. Esta, por sua vez, é mostrada na tela aberta e, dentro dela há um importante item. O jogador pode sair e deixar a gaveta aberta, mas será repreendido pelo NPC que estiver mais próximo. Esses detalhes fazem de Mystic Ark um jogo muito prazeroso de ser explorado.


tal qual um Adventure, é possível interagir com objetos sob uma nova perspectiva, 
algo bastante criativo por parte do time de produção do jogo

As músicas e efeitos sonoros do jogo dão um show à parte também. Desde o tema de batalha até as dungeons e sons característicos, tudo aqui é muito bem feito de modo à não cansar ou enjoar o jogador. Afinal, pra um game com tantas opções para serem exploradas, nada como um tema musical leve para não cansar a jogatina.


é possível empurrar rochas para resolver alguns puzzles também

Por fim, Mystic Ark não é um jogo simples, tão pouco fácil de ser jogado e quiçá terminado. A quantidade de opções existentes, os vários objetos que podem ser interagidos e os muitos diálogos podem afastar os que procuram por mais ação do que falatório. Mas, se você deseja um game sólido, com bons combates e uma história envolvente, recomendo experimentá-lo. A tradução do jogo felizmente é fácil de ser encontrada e não será empecilho para encarar essa tremenda jornada!



Resumão:
+ definitivamente, a interação com cenário é algo único até mesmo nos 16 bits;
+ visual caprichado;
+ trilha sonora de responsa;
- quantidade de texto e vai e vem nos cenários podem cansar alguns;

Final Score: 8.0

13 comentários:

  1. Baixei a rom e ela está com falhas, contém caracteres em Japonês ainda!

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    1. Baixe no planetemu.net e pegue o patch no link que eu deixei no começo do review.

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  2. Mas um bom rpg cara vou baixar pra ver como é e esse vai ser mais um pra minha lista hehehehe.

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  3. tenho que conferir esse game, vou procura-lo para ver se acho por aí. e gostei dele, é bem diferente

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    1. Pode pegar que você vai curtir sim, é um RPG bem diferente.

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  4. muito interessante esse rpg pena ser tao desconhecido por te ficado no outro lado do planeta mais gracas a emulacao podemos conhece-lo um pouco melhor otimo review cara.

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    1. Valeu Ricardo.

      A emulação é uma dádiva dos deuses!

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  5. Cosmão, sabe dizer se esta tradução é melhor do que a do Aeon Genesis?
    No jogo, faltou só uns iconezinhos nos itens, pra identificar melhor...

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    1. Cara, não sei dizer se está melhor que a do grupo Aeon, pois não testei a a tradução dos caras.

      Essa que usei pra fazer o review não apresentou nenhum bug até agora (estou com umas três horas de jogo)

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  6. Uow, bela dica Cosmão. Pelo que você falou e pelas imagens, acho que vou gostar desse jogo!

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  7. Você faz parceria ??? Olha lá meu blog (theclassicsgames.blogspot.com) e responda lá , pois gostei muito do seu site. Obrigado pelo seu tempo. (adicionarei o link quando você responder, para não ter confusão)

    Veja alguns posts
    Análise: Real Bout Fatal Fury Special (Arcade):
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2012/06/analise-real-bout-fatal-fury-special.html
    Análise: Tom Clancy's Ghost Recon: Future Soldier (Celular):
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2012/05/especial-cruzada-java-12-tom-clancys.html
    Análise: Double Dragon (Arcade):
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2012/05/analise-double-dragon-arcade.html
    Análise: Breath of Fire (SNES):
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2012/05/analise-breath-of-fire-snes.html
    Análise: Sonic the Hedgehog (Master System):
    http://theclassicsgames.blogspot.com/2012/02/analise-sonic-hedgehog-master-system.html

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  8. eu quase zerei esse jogo no japones no meu snes cheguei longe pra porra kkkk mas travei numa parte lah....dificil mesmo...o cosmão sabe um jogo muito bom que tambem nao eh muito conhecido o quanto merece por ser japoneis e queriaa que voce cola-se ae era o FRONT MISSION do snes....zerei ele e eh muito louco.

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