terça-feira, 21 de maio de 2013

ActRaiser 2 (SNES)



Às vezes, continuações de obras famosas acabam decepcionando. Muitas vezes, não é muito bom ansear (leia-se: ter hype) por uma continuação de um filme, série ou, no caso, um game que fez muito sucesso em sua primeira aparição. São tantos exemplos que daria um mega post aqui (um que me vem à mente sempre que toco nesse assunto é Alundra 2), o que não é o caso do momento. Por outro lado, algumas vezes acaba acontecendo o inusitado e a continuação supera ou pelo menos se iguala à obra original. Batman Arkham City é um exemplo atual e perfeito disso.

Mas o que dizer de um jogo, que foi um enorme sucesso, é cultuado por muita gente e acaba mudando quase que por completo sua mecânica na continuação, destruindo seu principal charme? Actraiser 2 é mais ou menos isso, uma conturbada continuação de um dos mais aclamados jogos da Enix, tido como pontapé inicial da trinca Sou Blazer/Illusion of Gaia/Terranigma, jogos que falam praticamente da mesma coisa: a criação do mundo.


Não querendo lembrar, mas já lembrando, o primeiro Actraiser foi analisado aqui e levou nota 8.5, uma nota bem alta devido à sua qualidade e inovação em termos de enredo pra época. Até porque, convenhamos, em sua maior parte, ele não passa de um jogo de plataforma com uma cavaleiro armado com uma espada. Seu ponto principal estava situado em seu engenhoso e, ao mesmo tempo, simples gerenciamento estratégico, o qual consistia em ajudar pessoas e receber itens e upgrades em troca.


não se pode negar a beleza visual do jogo

Em sua sequência, lançada para SNES em 1993, o diretor Masaya Hashimoto e seus comandados resolveram que o foco seria maior ainda na ação.... maior ainda que no primeiro game.... e temos isso. Antes de mais nada, Actraiser 2 perdeu completamente seu fator ESTRATÉGIA, tão bem incluído e encaixado no primeiro game. Agora apenas escolhemos a fase (por meio de uma nuvem, como no primeiro game), descemos e tocamos o horror nos inimigos. Simples e direto assim.

A história ainda gira em torno de Tanzra, com direito à batalha na abertura e tudo mais. Na cena, Tanzra luta contra o cavaleiro, uma representação humana da forma de Deus (ou Master), mesmo que isso seja mostrado indiretamente. O guerreiro, agora alado, desfere um golpe que manda Tanzra direto pro inferno. Lá ele se junta com outros demônios e, baseando-se em seus 7 pecados mortais, renasce para torturar o mundo e conseguir sua revanche.



Como ajuda, ainda temos um anjo que vai informando os acontecimentos nas cidades próximas de onde os demônios estão, dizendo coisas como "finalmente o rio está livre e o povo agora tem água", situações parecidas com as do primeiro game, mas que o jogador não se envolve diretamente, apenas no que diz respeito à ação contra os inimigos. Nem o anjo controlamos mais, apenas lemos as notícias à cada retorno triunfante de alguma fase. Foram-se os SP points na busca por novos milagres (poderes), foram-se moradores pedindo e ganhando coisas em troca e as mensagens muitas vezes simbólicas mas com fundo bíblico que permeavam tanto o primeiro game. Agora temos ação, pura e simples. Tá, não tão simples assim...

O maior pecado de Actraiser nem é ter se afastado tanto do original no que diz respeito à jogabilidade. Talvez sua maior falha seja realmente nos controles do herói. Saltar e atacar corretamente é um martírio na maioria do tempo, isso porque inventaram que o cara deveria planar e voar, além do salto duplo. Essa mistura de habilidades enquanto está no ar vira uma bagunça quando o que realmente se deseja é espetar a espada no inimigo próximo, o que muitas vezes ocasiona ou em morte, ou na perda dos valiosos pontos de energia. E conseguir mais deles na fase é de uma dificuldade TREMENDA.


acreditem: subir esse riacho não é uma das tarefas mais fáceis com essas enormes asas...

As magias presentes no jogo são variadas, mas seu uso, muitas vezes, as impede de serem mais úteis. Todas envolvem segurar o botão de ataque enquanto se aperta algum direcional, seja no chão no ar e é aí que complica. Se pra dar uma simples espadada ou descer rasante nos inimigos é trabalhoso, imaginem acertar uma magia nessas condições...

Unindo-se aos controles porcos, temos os inimigos e design de fases implacável, tornando Actraiser 2 um jogo difícil e que mina toda a vontade do jogador de continuar explorando. Não há motivos pra isso, o jogo tem um background em termos de história muito fraco, não há motivação para sofrer nas fases e depois ler uma simples frase dita por um anjo sem o menor carisma com os resultados dos seus feitos.


os chefes são um show a parte no que diz respeito ao visual

Por outro lado, o visual do jogo é lindo ao extremo. Os caras da Enix se superaram aqui, deixando pra trás o visual do primeiro game anos luz. Efeitos de transparência e a ambientação da maioria das fases é exemplar, bem como os inimigos e chefes. Infelizmente não dá pra aproveitar muito, pois, como eu já disse, o design é fraco e a dificuldade por conta dos controles desanima até o maior graphic whore do planeta.


a etapa debaixo d'água é uma das mais bonitas do jogo... e uma das mais difíceis também...

O som ainda é de responsabilidade de Yuzo Koshiro, mas não tem nenhum destaque aqui. Não são músicas ruins, mas estão muito longe das músicas originais e até de outros trabalhos do Koshirão. Efeitos sonoros ainda são praticamente os mesmos do original, acho que pra manter uma certa identidade.

Enfim, mesmo diferindo-se TANTO em relação ao original e perdendo completamente o sentido de existir, Actraiser 2 ainda é um jogo muito bonito e que merece uma certa atenção. O sistema de fases é interessante, mesmo que linear, ainda dá uma certa liberdade de escolha, como no primeiro. Se conseguir superar os problemas com os controles "aéreos" do personagem, talvez consiga tirar alguma diversão daqui. Caso contrário, rejogue o primeiro e seja feliz.



*Curiosidade: caso desejem conhecer o jogo inteiro, nosso amigo Colimar fez um detonado pra Old Games FTW,a na época dos desafios malucos organizados por lá!

Resumão:
+ gráficos estonteantes;
+ a temática dos 7 pecados mortais (gula, inveja, etc) insinuada nas fases ficou bacana, principalmente nos chefes;
- músicas fracas;
- controles horríveis;
- dificuldade elevada;

Final Score: 7

14 comentários:

  1. Cara esse jogo é foda demais, mas também difícil pra cacete...me lembro de ter me sentido humilhado após algumas mortes logo no ínicio do jogo hahaha.
    É muito épico, mas pra mim não tem como superar o primeiro Actraiser, aquele foi uma verdade obra prima.

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    1. Superar o primeiro Actraiser é difícil mesmo, o jogo é um épico sem precedentes!

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    2. Concordo plenamente. Actraiser 2 é aquele clássico caso de que melhores gráficos não fazem um jogo melhor, faltou um foco maior da empresas nos outros elementos que também consagraram o primeiro jogo: a jogabilidade simples e funcional, as excelentes músicas e as partes de estratégia fora das fases de ação.

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  2. Pomba Cosmão, sempre quis zerar Actraiser 2, mas nunca acho uma Rom que preste dele. geralmente engasga no começo do jogo. foi um dos primeiros jogos de aventura que vi quando moleque, numa revista de games...que não lembro o nome agora. excelente post, e vê se não deixa nós fãs do site orfãos. hehehe

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    1. Use o Snes9X, geralmente com o Zsnes trava mesmo. Outra dica é baixar a versão traduzida PT-BR, no Planetemu.net tem.

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  3. Não sei se já falaram desse jogo, mas sugiro que façam uma matéria sobre Crusader of Centy, do Mega.

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  4. Tenho aversão a jogos com jogabilidade podre, ainda mais quando os controles não estão a altura do desafio enfrentado no game. Um bom jogo para mim, nem precisa ter gráfico aprimorados, dou mais valor a jogabilidade e diversão que o jogo pode proporcionar. Não tem nada melhor, durante um jogatina, sentir logo de cara, que controle do personagem na sua "mão".

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  5. ActRaiser 2 é um belo jogo. Embora, como vc disse, tem a jogabilidade muito truncada. A curva de aprendizado para domínio dos controles é um pouco maior que a maioria dos adventures de plataforma. Eu tive ele e gostei bastante, não tanto quanto o seu antecessor. Porém, a trilha sonora do mago do som, nesta sequência, deixou muito a desejar. Dou um 7 pra ele tranquilamente. Mas não recomendo. Apenas para quem amou o primeiro e ficou com aquele gostinho de quero mais, como no meu caso ^_^

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  6. Meu...você é o primeiro cara que vejo reclamando algo de Actraise 2 xDD

    Minha opinião é que o jogo é ótimo, merecia um 9 realmente, o controle das asas pode até ser complicado no começo, as acaba se tornando uma ideia muito legal quando você aprende a usar, fora que a ificuldade de dar os especiais dá um desafio a mais no jogo. Além da trilha sonora ser realmente muito boa.

    Em fim, minha opinião só, mas Actraiser 2 é um mega jogo que todo mundo gostava na época e gostam até hoje, vale mesmo a pena jogar ^^

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    1. Como disseram, a curva de aprendizado dele é muito maior que no primeiro jogo. Aprender e dominar o vôo, essencial para escapar e conseguir atacar com sucesso, é difícil e penoso.

      Mas, como eu mesmo disse, não deixa de ser um belo game. Necessita de mais tempo pra ser devidamente apreciado, mas é um bom desafio pra quem tem paciência.

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  7. Curti muito esse jogo, a dificuldade realmente é alta. Consegui finalizar ele e esse é mais um game que esta presente no meu psp. Discordo da música, acho ela simplesmente fantástica.

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  8. Discordo ena parte de falar do som do jogo que é muito foda, e de falar do controle que é de resposta rápida, mas depende de sua habilidade.

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  9. faz uma review sobreo o tatics ogre e front mission do snes

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