quinta-feira, 19 de março de 2015

Arkista's Ring (NES)


Desde quando criei o Shugames, tive como meta avaliar, principalmente, jogos que poucas pessoas tem conhecimento e que são, no mínimo, divertidos de se jogar. E toda vez que me proponho a escolher a análise de um jogo, a mesma pergunta me vem na cabeça: mas qual escolher? Com uma gama tão vasta que o uso de emuladores roms nos apresenta, é uma tarefa ingrata colher um jogo no meio de tantos exemplos bons.

Arkista's Ring veio num lampejo de conversa, na famosa rede social conhecida como Facebook. Ao avistar algumas fotos de jogatinas de um usuário, vi a foto desse jogo e perguntei qual era. Após ter a resposta, fui ver na minha infindável lista de jogos de NES e lá constava, quase como um jogo "virgem", Arkista's Ring. Eu jamais havia sequer testado esse game, no entanto, aquela imagem labiríntica do mesmo me atraiu e fui ver qual era desse Anel de Arkista. E, para minha surpresa, o jogo é bom a ponto dessa análise brotar do nada, assim como ele surgiu.


No game controlamos Christine, o que por si só já denota uma certa ousadia da produtora American Sammy: protagonistas femininas eram raríssimas naquela época. Pois bem, Christine tem como objetivo reaver o Arkista's Ring, roubado pelo vilão Shogun, que tornou todo o reino de Elven Kingdom envolto em trevas! Agora, Christine, munida apenas de seu arco-e-flechas, precisa atravessar diversos lugares perigosos em busca do anel roubado para retornar a paz em seu reino!



Em todas as telas, o objetivo principal é destruir uma certa quantidade de inimigos, num esquema muito similar ao Gauntlet (e por que não ao Golvellius, da Sega?), mas com uma liberdade muito maior de locomoção. Para tal, nossa heroína faz uso desde o seu arco-e-flechas inicial, até mesmo de magias poderosas capazes de varrer a tela dos inimigos (sempre achei esse termo bizarro, mas, enfim) ou então jogar bolas de fogo nos mesmos. Cada tela tem um número de inimigos para ser morto, concluindo esse número, uma chave surge e, com ela, conseguimos sair da fase. Óbviamente, a cada avanço, novos desafios surgem, inimigos mais poderosos aparecem, magos voadores que soltam magias, labirintos gigantes, etc, mas o cerne de tudo ainda continua o mesmo: mate os inimigos, pegue a chave e saia da fase.



O visual de Arkista's Ring é bem simples, eu diria que até mais simples que Legend of Zelda, outro jogo que ele lembra bastante. Christine atira nas quatro direções principais, além de andar também nessas direções. O botão de pausar permite escolher um item previamente coletado de algum inimigo morto e o botão de ação faz seu uso. A jogabilidade é simples, o único fator que o jogador precisa se preocupar é como desviar de certos inimigos e mirar corretamente para eliminá-los. A energia de Christine é escassa e encontrar pontos de vida é raríssimo (geralmente uma poção deixada por inimigos abatidos). Alguns labirintos, entretanto, oferecem uma cruz no cenário que repõe a vida da protagonista por completo.



O jogo faz uso de vidas para limitar as chances do jogador. Essas vidas podem ser encontradas em inimigos mortos, além de alcançadas mediante uma pontuação alta, mas fique sabendo que são raras as duas ocasiões. Temos 10 continues e o jogo ainda te dá uma armadura, escudo, luvas, um capacete e até uma capa como formas de defesa que limitam a quantidade de energia perdida, mas que se deterioram com o tempo. Mas, pelo menos, te impede de perder um coração na primeira pancada.



Meu único ponto negativo pros controles fica com relação ao atraso do comando para virar e atirar de Christine. Como inimigos cada vez mais rápidos e cenários cada vez mais intrincados, virar e atirar rapidamente para evitar levar dano é uma ação quase instintiva na maioria das fases avançadas. Com um controle um pouco lento, o jogador fica à mercê de inimigos mais rápidos em lugares estreitos. Que dirá então na hora dos chefes, que demoram pra morrer e atacam sem parar!

O som do jogo segue o padrão da época, sem muito alarde nem mesmo pra trilha sonora, que repete a mesma música em quase toda dungeon. Mesmo assim, por algum motivo, é impossível enjoar da musiquinha dele, pois sempre em dungeons no subsolo ela faz questão de mudar para não cansar o jogador.



Por se tratar de um jogo mais simples, Arkista's Revenge pode não entreter por muito tempo o jogador ávido por novidades. Mas pra quem gosta de um bom dungeon crawler, um misto de Legend of Zelda do NES com Gauntlet, uma boa overdose de labirintos com toda sorte de inimigos randômicos, Arkista's Ring é um jogo que eu recomendaria. Ele não é implacável como a maioria dos jogos do NES dessa época, é fácil de jogar e de se acostumar com sua mecânica simples, mas oferece um desafio crescente que pode afastar quem almeja terminá-lo apenas numa tarde.

Resumão:
+ o desafio crescente mantém o ritmo do jogo;
- não varia muito nos objetivos, é só atacar, pegar a chave e sair;
- a trilha sonora poderia ser mais variada também;
- os controles são meio duros;

Final Score: 5

6 comentários:

  1. Calma que SNES e Mega também estão pra voltar por aqui hehehe

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  2. Me convenceu cara! Se, por acaso, eu ficar enjoado na frente do televisor, prometo que continuo jogando. Sério!

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