sexta-feira, 6 de junho de 2014

Shantae (GBC)


Certa vez eu ouvi falar sobre um game que teve uma certa fama no tão amado Game Boy Color. Como não era lá um jogo muito conhecido, poucas pessoas puderam jogá-lo. Seu estilo lembrava bastante Metroid, com progressão dependendo de itens e habilidades conseguidas vasculhando-se o cenário. Esse jogo era Shantae, um joguinho, aparentemente, simples, de traços grossos característicos do portátil e com um visual bastante cartunesco.

Pois bem, para estrear com o pé direito o GBC no Shugames, escolhi justamente Shantae. Ele não foi escolhido apenas por ser meio desconhecido do grande público. Shantae tem seu brilho próprio, tanto é que a Way Foward, sua produtora, já fez sequências e remakes para plataformas tanto da Nintendo quanto para o PC. Mas esta versão que vou lhes apresentar, foi onde tudo começou, foi onde nasceu a garotinha mística que resolve a maioria dos seus problemas "dançando"...


Shantae conta a história da meio-gênio Shantae, uma garotinha com trajes e traços indianos, roupas características de gênio e de dançarina do ventre. Seu design é, no mínimo, curioso e até mesmo audacioso pra época, onde guerreiros bombados e animaizinhos fofinhos dominavam as paradas. Bom, guerreiros bombados e animais fofinhos nunca deixaram de dominar... Enfim, Shantae apresenta uma protagonista mulher, num ambiente diversificado e com uma jogabilidade mais diversificada ainda. Sua missão mostrada no início é recuperar um artefato roubado pela pirata Risky Woods e sua tropa.


comecinho do jogo, na claridade do dia e na escuridão da noite, belos efeitos no singelo GBC

O grande teor do jogo está na exploração do cenário. De começo, o jogo engana, se mostrando um plataformer básico, onde saltar, golpear com seu cabelo (olha aí mais uma novidade) e avançar mostram ser as únicas peças da mecânica do jogo. Ao se alcançar a primeira aldeia, além de já ter notado que o game tem mudança do dia pra noite e que isso afeta desde itens exclusivamente noturnos até inimigos também noturnos, o jogo muda pra uma perspectiva em terceira pessoa, onde os direcionais movem Shantae para os lados e o direcional pra cima faz com que a mesma entre em lojas, casas, INN e saia do local. É algo, no mínimo, inusitado e criativo, mas espere, é só o começo!


a visão de Shantae nas cidades é realmente surpreendente
ao lado, tome cuidado com esses inimigos, eles pulam do "fundo" da tela

Explorar as cidades é bem simples dessa forma, sendo que a maioria delas tem poucas casas pra entrar e NPCs pra conversar. Geralmente uma casa de banhos que serve para recuperar as energias de Shantae (INN), um save room, alguma loja e uma casa com algum NPC necessário para se continuar a jornada. Mas o negócio é tão bem feito que fiquei surpreendido com a qualidade.


colecionáveis como os vagalumes só aparecem durante à noite
ao lado, uma passagem estreita para Shantae entrar se arrastando

Após sair da primeira cidade e ter que retornar até a fonte que fornece água à mesma, o jogo toma ares de "metroidvania", como dizem. A dungeon é um labirinto de certa forma complexo o bastante pra te prender ali e não te deixar sair até resolver tudo. São diversas salas com puzzles, salas com inimigos complicados, itens em locais inacessíveis numa primeira visita, itens colecionáveis em locais de mais difícil acesso ainda, passagens muito bem escondidas, baús e vasos mais escondidos ainda e tantos outros pormenores. É nessa primeira dungeon que você compreende a magnitude de Shantae e realiza que o jogo não é um simples plataformer como pensava anteriormente.


o game tem um visual muito agradável, mesmo sendo emulado numa tela muito maior que o GBC

A mecânica de jogabilidade se mostra completa quando conseguimos a primeira "dança" de Shantae, logo nessa primeira dungeon. Cada dança da moça resulta numa transformação em algum animal ou ser diferente, salvo algumas danças que tem outros efeitos, como voltar à última cidade visitada, por exemplo. A primeira dança aprendida te transforma num macaquinho hábil que consegue escalar qualquer tipo de parede. Isso abre um leque gigantesco de exploração, o que aumenta exponencialmente o jogo. Junte isso à algumas habilidades de pulo duplo, planar e etc e temos um autêntico metroidvania, só que sem um mapa para mostrar os caminhos.

A habilidade de dançar não tem limites e pode ser usada à qualquer hora, dependendo exclusivamente da habilidade do jogador ao inserir os comandos necessários. Ao aprender uma dança, ela fica acessível no menu de danças acessado com o PAUSE + botão B. Ali são mostrados os comandos das danças aprendidas. Decorar tais comandos é só o começo da diversão, visto que alguns são complicados de acertar de início. Para começar uma dança, basta apertar SELECT e Shantae começará a rebolar. Um mostrador no hud começará a piscar nas estrelinhas, então basta inserir os comandos um a um quando o indicador passar pelo símbolo da música (uma nota musical). Ao inserir todos corretamente, a transformação ou efeito ocorrerá. Para cada um deles, Shantae realiza movimentos diferentes, o que é, sem dúvidas, um fator muito bacana e diferenciado. Se formos levar em consideração toda essa diversidade de coisas num jogo portátil pra época, é difícil conceber que o game seja tão pouco comentado nos dias atuais, com a facilidade de acesso à ele que temos.


esse é o inventário do jogo com itens "usáveis" e os colecionáveis acima; apertando B, acessa-se a tela das variadas "danças" de Shantae
ao lado, um típico puzzle para decorar a sequência e organizar as pedras da mesma forma na sala abaixo

Sob o aspecto técnico, Shantae brilha novamente. Tanto os movimentos da mocinha quanto de NPCs e inimigos são extremamente fluidos, com destaque, claro, para Shantae. Suas danças são muito bem animadas e diversificadas, nunca uma é igual à outra e isso é um mérito à ser destacado. Os locais de início dão um ar de mesmice e até mesmo preguiça dos produtores, mas tudo muda à partir do momento em que se consegue a primeira transformação/dança. É nessa hora onde os níveis de exploração aumentam que o level design do jogo brilha, mostrando caminhos que anteriormente jamais teríamos notado. Uma simples parede pode esconder um buraco onde somente com o macaquinho conseguiríamos entrar. E, dentro dele, dinheiro, itens e... vidas! Sim, Shantae é um jogo com vidas, se perder todas, é usado um continue e volta-se ao último save point, sem choro nem vela! Ah, os 8 bits...

Outro ponto que gostaria de destacar são as músicas. Todas as que eu ouvi são muito boas, nenhuma delas enjoativa. As composições mesclando a cultura indiana com toques de guitarra e teclados compuseram uma OST de primeira, algo que também é digno de aplausos. Eu poderia tecer linhas e mais linhas de elogios às músicas, mas isso seria chover no molhado.


segurando o botão de ataque aciona-se a corrida, útil para lugares como esse da foto
à direita, a utilidade da transformação em macaquinho: escalar qualquer tipo de parede

E o que Shantae tem de ruim?, alguns perguntariam. Talvez, e vejam bem: TALVEZ o jogo não agrade à todos pela dificuldade exacerbada em certos levels. Eu explico: morrer a última vida num buraco que mal aparentava ser fatal e ter que refazer TODA A DUNGEON novamente é frustrante. Não é algo que, pessoalmente, me faria encostar o jogo, mas merece ser citado, visto que, por ser um game de exploração, recomeçar um setor inteiro por um erro bobo é a pior forma de punição ao jogador. Junte isso à ausência mesmo que de um simples mapa e prepare-se para sofrer em alguns momentos. Enfim, cada um interprete como quiser, à mim não afeta, mas pode afastar muita gente.

Finalizando, pra quem gosta de game casca-grossa, mas fascinante e com leves toques exploração à lá Metroid/Castlevanias, Shantae é um prato cheio. Mesmo com as limitações do Game Boy Color principalmente quanto às cores, o jogo se destaca e faz os defeitos quase sumirem perante os adjetivos. Foi uma das minhas melhores descobertas.

Resumão:
+ jogabilidade mesclando exploração "metroidvania" com poderes interessantes;
+ as músicas do jogo são muito bem elaboradas;
+ a história é bem contada e Risky Woods é uma bela antagonista;
- podia ter um mapa, principalmente para as dungeons;
- a dificuldade é inescrupulosa em alguns lugares;

Final Score: 8

6 comentários:

  1. Uau! Shantae! Já ouvi falar do game, mas sofri muito com a emulação (o game exige muito do Game Boy). Shantae é excelente! Acompanhei no YouTube o gameplay e fiquei babando. Não conhecia esses detalhes da exploração. Taí um game que merece minha atenção no futuro.

    Um abraço amigão!

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  2. O jogo em mídia física é caro, imagino que seja raro. Um remake - ou seria continuação - estava no Kickstarter.

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  3. Caraca, eu adoro esse jogo, Cosmão!!!

    Descobri no Virtual Console do 3DS. Zerei rapidinho, porque viciei. Adoro os gráficos, as músicas, as danças, é tudo muito divertido. Não tive problemas com a dificuldade não, mas volta e meia eu ficava meio perdido na hora de ir de uma cidade para a outra. Tipo, não saber se cidade x fica para a esquerda ou a direita.

    Jogaço. Tem uma sequência no eshop, vou acabar pegando mais cedo ou mais tarde.

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  4. Esta´ai um jogo que vi a respeito esses dias e que achei bem interessante o seu video de jogabilidade e que está tentando coletar alguma ajuda pelo Kickstarter para um novo jogo.Achei bem maneiro a coincidência por eu ter visto a respeito e ler o post por aqui vou adicionar na minha lista para jogar um dia desses.

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  5. Caraca esse jogo é lindo! Sério mesmo, teve uma época que eu tava sem saco pra jogo nenhum mas quando encontrei Shantae viciei, não parei mais, pensava no jogo quando acordava e quando dormia kk

    Os gráficos são muito belos, as músicas são viciantes e as transformações bastante criativas, lindo... lindo...

    Fui procurar no mercado livre pra saber quanto custava, quem sabe um dia podia comprar rsrs mas não achei. Fui olhar no ebay e achei um único completo lá, atualmente custa 3.754,20 reais... D:

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